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Juros do Financiamento x Taxas do Consórcio: Como a fuga dos juros altos impulsiona o setor

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Juros do Financiamento x Taxas do ConsórcioSe você está de olho em um imóvel, um carro novo ou até um serviço de maior valor, mas trava diante das taxas de juros do financiamento tradicional, não está sozinho. O Brasil viveu, ao longo de 2025 e início de 2026, um dos maiores movimentos de migração para o consórcio já registrados — e o motivo é simples: com a Selic mantida em patamares elevados, cada vez mais brasileiros decidiram trocar a pressa por planejamento.

Os números confirmam a tendência. Segundo dados da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC), o setor movimentou mais de R$ 500 bilhões em créditos comercializados em 2025, um crescimento de 32,1% frente a 2024. O número de consorciados ativos também disparou, chegando a 12,76 milhões de brasileiros — um recorde histórico para a modalidade.

Por que os juros altos empurram o brasileiro para o consórcio

A explicação está na própria lógica do produto. Diferentemente do financiamento bancário, o consórcio não cobra juros sobre o valor do bem — apenas uma taxa de administração diluída ao longo do prazo do grupo, e eventualmente um fundo de reserva. Isso significa que, mesmo com a Selic no maior patamar em quase duas décadas, o custo final de uma carta de consórcio permanece consideravelmente mais baixo do que o de um financiamento tradicional.

Com o crédito mais caro e mais restrito, o consumidor passou a enxergar o consórcio não mais como uma opção “de segunda categoria”, mas como uma estratégia deliberada de médio e longo prazo. Como resume um dos executivos do setor, o cenário de juros elevados fez o consórcio se consolidar como alternativa estratégica para quem consegue se programar.

O recorde por segmento: imóveis lideram o crescimento proporcional

Embora o segmento automotivo continue concentrando a maior fatia de cotas vendidas — respondendo por uma parcela expressiva das vendas de veículos leves e motocicletas no país —, foi o consórcio imobiliário que apresentou a expansão mais expressiva em termos percentuais, com alta em torno de 32% a 36% na comparação anual, dependendo da base de dados considerada.

A tabela abaixo resume o panorama do setor com base nos dados mais recentes divulgados pela ABAC e por administradoras como Sicoob:

Indicador2025 (ou período mais recente)Variação anual
Volume total comercializadoAcima de R$ 500 bilhões+32,1%
Participantes ativos12,76 milhões+13,5% a +13,8%
Consórcio imobiliárioMaior alta proporcional do setor+32% a +36%
Cotas comercializadas (ano fechado)5,16 milhões+15,1%
Projeção ABAC para 2026Crescimento estimado+11%

recorde consorcios

Esse crescimento não é um fenômeno isolado de 2025. O setor já vinha em trajetória de alta desde 2024, mas a manutenção da Selic em nível elevado por um período prolongado deu novo fôlego ao movimento, atraindo inclusive um público mais jovem, que busca contemplação sem abrir mão do planejamento financeiro.

Consórcio na prática: quanto custa hoje

Para quem está avaliando a modalidade, os valores praticados no mercado dão uma boa referência do que esperar. Um imóvel avaliado em R$ 300 mil, por exemplo, pode ter parcelas mensais entre R$ 1.500 e R$ 2.500, variando conforme o prazo do grupo e as condições contratadas. Já uma carta de crédito para veículos de R$ 80 mil costuma ter prestações a partir de cerca de R$ 900, também a depender do prazo escolhido.

Vale reforçar: esses valores são estimativas de mercado e variam bastante entre administradoras, prazos e composição dos grupos. Antes de contratar, o ideal é sempre simular diferentes cenários e comparar taxa de administração, fundo de reserva, prazo e estratégia de lance.

Um ponto que costuma gerar dúvida é a diferença entre o valor da parcela e o custo total do plano. Como o consórcio não tem juros, o principal componente que encarece a carta de crédito ao longo do tempo é a taxa de administração, geralmente diluída em percentuais anuais fixos, somada à correção do saldo devedor pelo índice de reajuste definido em contrato. Por isso, comparar apenas o valor da parcela mensal entre administradoras diferentes pode ser enganoso — o ideal é sempre olhar o custo efetivo total (CET) do plano, quando disponível, e o histórico de reajustes da administradora nos últimos anos.

O que avaliar antes de entrar em um grupo de consórcio

Com o mercado aquecido, cresce também o número de pessoas entrando em grupos sem entender completamente como a modalidade funciona. Antes de contratar uma cota, vale considerar:

  • Taxa de administração: compare o percentual total cobrado pela administradora ao longo do plano, não apenas o valor da parcela inicial.
  • Prazo do grupo: prazos mais longos reduzem o valor da parcela, mas adiam a possibilidade de contemplação.
  • Reajustes anuais: a carta de crédito é corrigida por um índice (geralmente INCC para imóveis ou IPCA/tabela do fabricante para veículos), o que afeta o valor futuro das parcelas.
  • Estratégia de lance: livre, embutido ou fixo — cada modalidade tem impacto diferente na velocidade de contemplação e no comprometimento de renda.
  • Reputação da administradora: histórico no Banco Central, tempo de mercado e avaliações de outros consorciados.

Especialistas do setor costumam descrever o consórcio como um “disciplinador financeiro” — uma espécie de poupança com propósito definido, que evita o endividamento típico do financiamento e ajuda o consumidor a organizar o orçamento em torno de um objetivo concreto.

O consórcio veio para ficar como alternativa estrutural

Diferentemente de outros ciclos em que o consórcio cresceu apenas como reflexo momentâneo de um cenário de crédito restrito, analistas do setor apontam que o movimento atual tem características mais duradouras. A combinação entre juros persistentemente altos, maior educação financeira do consumidor e a ausência de incidência de IOF sobre a modalidade tem consolidado o consórcio como uma opção estrutural — não apenas uma fuga temporária dos bancos.

Outro fator que ajuda a explicar a durabilidade do movimento é a mudança de perfil do consorciado. Historicamente associado a compradores mais conservadores e de faixa etária mais avançada, o consórcio passou a atrair também um público mais jovem, que enxerga na modalidade uma forma de disciplina financeira e de fuga do endividamento com juros compostos. Esse público costuma pesquisar mais antes de contratar, comparar administradoras e simular diferentes cenários de lance — o que, na prática, tem elevado o nível de exigência do mercado como um todo.

As próprias administradoras também têm se adaptado a esse novo momento. Cooperativas de crédito, bancos e administradoras independentes ampliaram a oferta de simuladores digitais, aplicativos de acompanhamento de grupo e canais de atendimento totalmente online, tornando o processo de contratação — e de acompanhamento da cota até a contemplação — mais transparente e acessível do que era há alguns anos.

Para 2026, a própria ABAC projeta continuidade da expansão, com crescimento estimado em torno de 11%, puxado principalmente pelos segmentos imobiliário e automotivo. Isso reforça que, mais do que uma moda passageira, o consórcio se firmou como uma ferramenta relevante de planejamento patrimonial para milhões de brasileiros.

Se você já cogita adquirir um imóvel, veículo ou serviço de maior valor nos próximos anos, este pode ser o momento certo para entender melhor como o consórcio funciona e simular se ele cabe no seu planejamento financeiro.

Perguntas frequentes sobre o recorde dos consórcios

Por que o consórcio cresceu tanto em 2025?

O principal motivo foi a manutenção da Selic em patamar elevado, o que encareceu o financiamento tradicional e tornou o consórcio — que não cobra juros — uma alternativa mais atrativa para quem pode planejar a compra com antecedência.

Qual segmento do consórcio mais cresceu?

O consórcio imobiliário registrou a maior expansão proporcional, com alta entre 32% e 36% na comparação anual, embora o segmento automotivo ainda concentre o maior volume de cotas vendidas no país.

O consórcio é mais barato que o financiamento?

Em geral sim, porque o consórcio não cobra juros, apenas uma taxa de administração diluída ao longo do plano. Em contrapartida, não há garantia de receber o crédito imediatamente, já que a contemplação depende de sorteio ou lance.

Quanto custa um consórcio de imóvel de R$ 300 mil?

As parcelas costumam variar entre R$ 1.500 e R$ 2.500 por mês, dependendo do prazo do grupo, da taxa de administração e das condições oferecidas pela administradora escolhida.

Qual a expectativa para o setor de consórcios em 2026?

A ABAC projeta crescimento de cerca de 11% para o setor em 2026, impulsionado principalmente pelos segmentos imobiliário e automotivo, em um cenário de juros ainda elevados.