
Insights do Boletim ABAC Fevereiro/2026: Imóveis e Eletroeletrônicos Puxam Crescimento do Consórcio no Brasil

Se você ainda tem dúvidas sobre o momento do consórcio no Brasil, os números divulgados pela Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC) referentes a fevereiro de 2026 respondem com clareza: o sistema segue em expansão firme, e dois segmentos — imóveis e eletroeletrônicos — estão redesenhando o mapa de oportunidades para quem busca crédito planejado sem juros. Entender esses dados não é curiosidade estatística: é a diferença entre entrar no consórcio certo, no momento certo, ou ficar assistindo de fora enquanto o mercado se reorganiza.
O tamanho do sistema: 12,8 milhões de consorciados ativos
Em fevereiro de 2026, o Sistema de Consórcios brasileiro registrou 12.854.366 participantes ativos, um avanço de 0,5% frente a janeiro e de expressivos 12,7% na comparação com fevereiro de 2025. Esse crescimento de dois dígitos em apenas doze meses confirma uma tendência que já vinha sendo desenhada nos boletins anteriores: famílias e empresas continuam migrando do financiamento tradicional, com juros altos, para o modelo de autofinanciamento coletivo do consórcio.
A tabela abaixo resume a evolução por segmento, mostrando quem está puxando essa curva de crescimento:
| Segmento | Participantes Fev/2026 | Variação vs. Fev/2025 |
|---|---|---|
| Imóveis | 2.877.866 | +30,3% |
| Veículos Leves | 5.379.623 | +10,2% |
| Serviços | 132.208 | +7,9% |
| Veículos Pesados | 926.695 | +6,5% |
| Motocicletas | 3.258.325 | +6,4% |
| Eletroeletrônicos | 279.649 | +6,1% |
| Total do Sistema | 12.854.366 | +12,7% |
Imóveis: o segmento que não para de crescer
Pelo terceiro boletim consecutivo, o consórcio de imóveis aparece como o grande destaque em número de participantes, com alta de 30,3% em doze meses — mais que o dobro da média geral do sistema. Esse movimento é coerente com o cenário macroeconômico: mesmo com o custo do crédito imobiliário tradicional ainda pesando no orçamento das famílias, o consórcio permite planejar a compra da casa própria sem juros e sem entrada obrigatória, apenas com taxa de administração.
Os créditos comercializados no segmento reforçam essa leitura: R$ 21,6 bilhões em fevereiro, avanço de 21,2% sobre fevereiro de 2025, e R$ 45,8 bilhões acumulados no ano — 28,4% acima do mesmo período de 2025. Ou seja, mais gente está entrando, e entrando com cartas de crédito de maior valor.
Um ponto de atenção, porém: o tíquete médio de imóveis caiu 11,5% frente a janeiro e 15,6% frente a fevereiro de 2025, fechando em R$ 174.685. Isso sugere que parte do crescimento vem de grupos com cartas de crédito mais acessíveis, ampliando o público que consegue entrar no consórcio imobiliário — uma democratização do produto, não uma desaceleração.
Eletroeletrônicos: o salto mais chamativo do boletim
Se imóveis é o segmento mais consistente, eletroeletrônicos é o mais explosivo. O tíquete médio da categoria saltou 148,3% em relação a fevereiro de 2025, chegando a R$ 19.640 — e, no acumulado do ano, a alta é de 110%. Os créditos comercializados nesse segmento cresceram 289,4% em doze meses e 241,1% no acumulado do ano, um salto que indica mudança de perfil: consórcios de eletroeletrônicos deixaram de ser apenas sobre celulares e eletrodomésticos e passaram a incluir itens de maior valor, como sistemas de energia solar.
Vale notar que as contemplações desse segmento recuaram 71,9% no comparativo anual, o que é natural em categorias com crescimento acelerado de novas adesões: o volume de cotas entrando supera, por ora, o de cartas sendo liberadas.
Contemplações em queda: o que isso significa para quem já está no consórcio
Um dado que merece atenção de quem já é consorciado é a queda geral nas contemplações: 144.744 em fevereiro de 2026, 12% a menos que em janeiro e 17,5% a menos que em fevereiro de 2025. No acumulado do ano, a retração é de 10,3%. Isso não significa que o sistema está mais restritivo — o total de créditos disponibilizados no acumulado do ano caiu apenas 1,6%, praticamente estável —, mas sim que o ritmo de entrada de novos participantes está temporariamente mais rápido que o de liberação de cartas.
Na prática, isso reforça a importância de estratégias de lance para quem quer antecipar a contemplação, em vez de depender exclusivamente do sorteio mensal.
Por que esses dados importam para quem pensa em consórcio agora
- O sistema como um todo cresceu 12,7% em participantes em doze meses, mostrando confiança consolidada no modelo;
- Imóveis lidera o crescimento e tem cartas de crédito cada vez mais acessíveis;
- Eletroeletrônicos vive um boom de créditos de maior valor, provavelmente puxado por energia solar;
- O tíquete médio geral do sistema subiu para R$ 92.683, alta de 2,7% em doze meses;
- Contemplações mais lentas tornam o planejamento de lance ainda mais estratégico.
“O crescimento contínuo do Sistema de Consórcios reflete a busca das famílias brasileiras por alternativas de crédito planejado, sem a pressão dos juros do financiamento tradicional.” — ABAC, Boletim do Sistema de Consórcios
Conclusão: o momento é de planejamento, não de pressa
Os números de fevereiro de 2026 confirmam que o consórcio brasileiro vive um dos seus melhores momentos em anos, com destaque para imóveis e para o salto de eletroeletrônicos. Mas o mesmo boletim mostra que contemplações estão mais disputadas — o que reforça a necessidade de escolher bem o grupo, entender as regras de lance e simular cenários antes de assinar. Se você está avaliando entrar em um consórcio agora, use esses dados a seu favor: o mercado está aquecido, mas quem se planeja sai na frente.
Perguntas Frequentes
O consórcio de imóveis é o melhor segmento em 2026?
É o segmento com maior crescimento em número de participantes, com alta de 30,3% em doze meses segundo a ABAC. Isso indica forte procura, mas a escolha ideal depende do objetivo de cada consorciado.
Por que os eletroeletrônicos tiveram alta tão expressiva?
O tíquete médio da categoria subiu 148,3% em doze meses, o que sugere que consórcios de eletroeletrônicos passaram a incluir bens de maior valor, como sistemas de energia solar, além dos itens tradicionais.
As contemplações estão mais difíceis em 2026?
O número de contemplações caiu 17,5% na comparação anual, mas o volume de créditos disponibilizados no acumulado do ano ficou praticamente estável. O cenário pede mais atenção a estratégias de lance.
O consórcio ainda vale a pena com a queda dos juros?
Sim. Mesmo com movimentos na taxa de juros, o consórcio segue como alternativa sem incidência de juros, e o crescimento de 12,7% em participantes em doze meses mostra que a demanda continua forte.
Onde encontro dados oficiais atualizados sobre o setor de consórcios?
Os boletins mensais da ABAC (Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios) são a fonte oficial mais completa, trazendo participantes ativos, tíquete médio, cotas e créditos comercializados, contemplações e créditos disponibilizados por segmento.

